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Quem cuida e merece receber cuidado: data comemora a profissão de enfermeiro

No dia 12 de maio é celebrado o trabalho daqueles que se esforçam pela vida dos pacientes por dom e empatia

Os que cuidam muitas vezes não podem dar abraços, mas não deixam faltar carinho. Nem sempre conseguem dormir o quanto gostariam, mas não deixam faltar disposição. Às vezes, os que cuidam abdicam do tempo com a própria família para tratar dos desconhecidos, apenas por amor à vida de todos e pela capacidade de se colocarem no lugar do outro. Esses que cuidam são os enfermeiros, que no dia 12 de maio celebram a data que homenageia a profissão.

Gilana Rodrigues Mozer Nantes é profissional da saúde há 15 anos, e atualmente é coordenadora de Enfermagem da Emergência do Hospital Icaraí. A equipe é uma família, como ela diz, de 57 pessoas, dividida entre a enfermagem pediátrica e a enfermagem adulta. Nos últimos meses, todos os profissionais foram confrontados com a situação atípica de uma pandemia, um cenário diferente de tudo o que já passaram em suas carreias. Gilana acredita que só há uma maneira de vencer essa e qualquer outra adversidade:

Com empatia.

“Quem é enfermeiro segue na profissão porque tem o dom de cuidar, e tem que ter empatia em olhar para os pacientes como eles são, o amor de alguém”, conta a enfermeira, que reconhece que a profissão também apresenta riscos, mas estes não são capazes de tirar a motivação dos profissionais.

Os enfermeiros do Hospital Icaraí seguem todos os protocolos de paramentação e cuidados recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e as orientações do Controle de Infecção Hospitalar do HI, constantemente atualizadas segundo as diretrizes dos órgãos superiores. Ainda assim, em meio à crise do novo coronavírus, Gilana precisou passar por um período de isolamento, manter distância do marido Luis Paulo e do filho Arthur, de 9 anos. E mesmo vivendo de forma diferente, em quartos separados, se mostraram mais unidos do que nunca.

“Eu tive que dar muitos abraços virtuais no meu filho, de longe. A gente esticava os braços e sentia a presença um do outro. Ele sempre perguntava quando poderia me abraçar de verdade e beijar de novo. Isso partia meu coração. Mas em todo o momento tive em mente que o afastamento era para o nosso bem”, explica.

A história de Gilana revela que quem cuida também precisa de cuidados. Ela teve o suporte do marido, que passou por uma cirurgia recentemente.

“Antes eu fazia tarefas em casa, cuidava dele, que estava precisando enquanto se recuperava. Depois tudo se inverteu, e ele teve que tirar forças de onde não tinha”, diz.

A coordenadora afirma que a maior preocupação dos trabalhadores da saúde tem sido contaminar quem está próximo. Por isso, existe orientação e precauções diárias, com treinamentos sobre os protocolos e a checagem de equipamentos e paramentação.

A “família” em números

Além da família de sangue, Gilana tem outra família: a dos colegas de profissão. Ela diz que, por passar muito tempo junto da equipe, eles são como se fossem parentes, muitas vezes com uma convivência maior do que a que tem em casa. Se ajudam e compartilham das dificuldades e dos prazeres da enfermagem.

“A relação tem que ser muito boa. Amizade, coleguismo e respeito, principalmente. Nesse tempo todo que tenho de enfermagem, e já trabalhei em outra instituição, acabei levando amizades inesquecíveis, muitos ficam para a vida mesmo. Não tem como não considerar uma família”, comenta.

Essa família de enfermeiros é grande no Brasil. De acordo com o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), existem mais de 2 milhões e 300 mil inscrições ativas de enfermeiros no Conselho, nas categorias de técnicos, auxiliares, enfermeiros e obstetrizes. Como os profissionais podem estar inscritos em mais de uma categoria, eles são contabilizados também mais de uma vez. A Cofen, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), estima em, aproximadamente, 1,6 milhão de profissionais de enfermagem no país, segundo dados de 2015.