Doutor Carreira Mundo Empresarial

Por que os grandes talentos hoje estão fugindo para as start-ups

As políticas das empresas no ambiente de trabalho impactam direta e principalmente no fator-chave de sucesso do negócio: o engajamento. Segundo relatório da Aon Hewitt, de 2017, o Trends in Global EmployeeEngagement, em todo o mundo, até 2016, os colaboradores tinham um índice de engajamento de 63% – isso representa o quanto o colaborador estava disposto a se entregar efetivamente para a empresa em prol daquilo que ele fazia, enxergando isso como causa e, inclusive, um excelente ambiente de trabalho para desenvolver seus propósitos de vida.

À medida que a sociedade evolui e vão entrando novas gerações no mercado de trabalho, novas necessidades vão sendo veementes e fica cada vez mais claro que, agora, a mistura de gerações faz com que os mais jovens acabem influenciando os mais velhos.

A geração baby boomer, por exemplo, era muito preocupada em ter, e agora, esta geração que está chegando, a geração Y, os millennials e a geração Z, que já fazem parte do mercado de trabalho, é muito do ser: eles gostam muito de trabalhar, mas querem que o que fazem como trabalho tenha muito a ver com seu propósito de vida. Se não tiver esta ligação, eles não conseguem se engajar na empresa onde estão, e à medida que eles não se engajam, mesmo que continuem empregados, eles não produzem – ou produzem muito pouco (e até só o necessário). E aí eles acabam ficando muito aquém do que a empresa espera deles em termos de inovação, criatividade, entrega, resiliência, disciplina, empenho e entrega de valor ao cliente, os chamados soft skills que a empresa tanto cobra dos profissionais e dos RHs.

As companhias que têm um ambiente colaborativo, onde tudo se partilha, onde há fomentação de inovação e aceitação de idéias, criatividade e reconhecimento para os colaboradores, fazem com que este ambiente por si só já crie engajamento, e as pessoas se sentem muito bem trabalhando nestes locais. As empresas que não conseguem criar estas
políticas de ambientação, com espaços abertos e troca de idéias, autoconhecimento e confluência entre obrigatoriedade de trabalho e diversão dentro do mesmo ambiente estão perdendo os melhores talentos.

As pessoas acabam indo embora para pequenas organizações, as chamadas start-ups, que criam estas políticas e têm uma cultura de boas relações profissionais internamente.

E não para por aí! Além da cultura de legado e do ambiente em infraestrutura, a liderança é a terceira coluna que compõe a tríade do engajamento.

Muitas start-ups são lideradas por pessoas apaixonadas pelo que fazem, e estes novos líderes são receptivos e acessíveis a todos; não há uma hierarquia rígida, com organogramas e imposição de regras.

Estes novos líderes trabalham com um conceito de ecossistemas, onde há uma liderança compartilhada e onde todos se sentem responsáveis pelos resultados. As decisões são tomadas em conjunto e as atividades são divididas em tarefas por semana e por dia e colocadas em um painel onde cada colaborador que possui as habilidades necessárias se prontificam a realizar e a entregar.

As reuniões são curtas e o foco está na entrega de valor e propósito para seus clientes e para a sociedade.

Os novos líderes dão feedbacks constantes, quase que diários, e trabalham e estimulam mais as pessoas com perguntas do que trazendo respostas prontas.

São mais líderes servidores e facilitadores do que chefes cobradores e acusadores.

A organização passa a ser uma empresa de aprendizado, onde o que mais conta não é a experiência contabilizada em forma de tempo de casa, mas em jornada de atividades que se transformam em experiências internas de aprendizado pelos colaboradores.

É para lá que o mundo corporativo está caminhando – em vez de empresas sólidas, como no passado, agora temos empresas líquidas, que se adaptam fácil e rapidamente às situações.

Os talentos profissionais estão até abrindo mão de salários por um bom ambiente de trabalho!

Algumas start-ups escolhem seus colaboradores principais e coletam a opinião deles para saber como está o clima interno na empresa e o índice de felicidade – eles são chamados de “termomêtros de clima interno” – e a partir destas opiniões é possível implantar rapidamente uma ação que reconecte o grupo novamente.

Empresas grandes do Setor de Alimentos, Finanças, Energia e Saúde, entre outros, estão, inclusive, criando suas próprias start-ups para implantar esta cultura de engajamento entre seus colaboradores, e a tendência é que as empresas antes gigantes sejam definitivamente operadas como unidades de negócio, como sempre foi um sonho do passado, mas não sabiam como fazê-lo. Talvez seja esta a resposta…

As empresas que ficaram no passado, presas a políticas antigas, onde tudo é muito rígido e hierárquico, estão perdendo seus melhores talentos, e os que estão ficando não estão engajados. A tendência é que até 2021, se as empresas não fizerem alguma coisa para mudar estas políticas internas de relações humanas, muito possivelmente chegará a 58% o nível de engajamento, o menor da história!

Portanto, para reter seus talentos, fique atento, pois eles estão à procura de uma cultura de propósito, um grande ambiente e líderes inspiradores!

Que tal se transformar para reter seus talentos?