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Os desafios das mulheres cientistas brasileiras que empreendem. Dificuldades de investimento e financiamento são alguns dos temas a serem debatidos.

Fernanda Checchinato, cientista e fundadora da startup Aya Tech, investiu e acreditou no mercado de produtos biocosméticos que se tornaram referência no combate ao coronavírus.

No próximo dia 8 de março será comemorado o Dia Internacional da Mulher, data que simboliza a luta histórica das mulheres para terem condições equiparadas aos homens. Esta data, inicialmente remetida à reivindicação por igualdade salarial, hoje em dia simboliza a luta das mulheres também contra o machismo e a violência.

No mercado de trabalho, apesar da conscientização e evolução dos últimos anos, ainda é evidente a diferença salarial de homens e mulheres ocupando os mesmos cargos. A mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que, de uma forma geral, as mulheres brasileiras ganham, em média, 76% da remuneração masculina.

Uma outra pesquisa, realizada pela Catho em 2020, revelou que diretoras ganham 26% a menos que os homens e nos cargos de analistas a diferença salarial é de 35%. A mesma pesquisa indica que os níveis de escolaridade não têm culpa nesta disparidade: mulheres com pós-graduação, MBA ou especialização, ganham 47% a menos e com ensino fundamental 17% a menos que os homens.

A área da ciência não é diferente das outras nos quesitos desigualdade salarial e falta de ocupação de mulheres em postos mais elevados. De acordo com o Relatório de Ciências, divulgado em 11 de fevereiro de 2021 pela Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (Unesco), apenas 22% dos cargos nas áreas mais qualificadas são ocupados por mulheres. Os dados foram propositalmente divulgados na data em que se celebra o Dia das Mulheres e Meninas na Ciência, com o objetivo de aumentar a conscientização sobre a questão da excelência das mulheres na ciência e lembrar a comunidade internacional de que a ciência e a igualdade de gênero devem avançar lado a lado.

Ainda segundo este mesmo relatório da Unesco, fundadoras de startups também lutam mais para ter acesso a financiamento e, em grandes empresas de tecnologia, continuam sub-representadas em cargos de liderança e técnicos. Mulheres também são mais propensas a deixar o campo de tecnologia, muitas vezes citando fracas oportunidades de carreira.

Contrariando as perspectivas está a cientista e pesquisadora, Fernanda Checchinato (46), atualmente empresária e fundadora da Aya Tech, que revela o desejo de ver esta situação de desigualdade mudar “Quero que minha história inspire meninas e mulheres cientistas a não desistir, buscar estudar e se especializar para conquistar o mercado de trabalho. Sei que parece difícil, vendo estes dados, mas a gente tem que lutar pra melhorar e quero que minha história seja inspiração para a geração futura”, revela Fernanda.

A história da cientista

Fernanda Checchinato é formada em engenharia química pela Universidade Federal de Santa Catarina, fez parte de seu doutorado no centro de Química, Física e Eletrônica (CPE), da Universidade de Lyon, que faz parte do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS). Nesta época, desenvolvia estudos sobre plásticos bactericidas para alimentos.

Ao voltar para o Brasil, Fernanda passou a trabalhar como pesquisadora em uma metalúrgica que fazia eletrodomésticos e iscas para pesca. “Eu era a única mulher chefe de setor e sofri alguns boicotes por ser um meio muito machista. Tomei coragem para abrir meu próprio negócio e pedi demissão para montar a Aya Tech”, conta a cientista empreendedora. “Naquela época não existia esse conceito de startup, mas mesmo sem investidores, com tudo muito enxuto, deu certo.”

Em 2010, Fernanda começou sua jornada com capital próprio e muita vontade de criar produtos que transformassem o dia a dia das pessoas. Foram anos de pesquisas, testes e começava, então, a história da Aya Tech, startup 100% brasileira que desenvolve produtos saneantes e biocosméticos.

A reviravolta da empresária

Em 2018, a Aya Tech foi a primeira startup da américa latina selecionada para participar de um programa de aceleração de startups promovido pela Agência de desenvolvimento e inovação da Grande Paris, a Paris Co, que trabalha com 500 empresas francesas estrangeiras por ano.

Para a pesquisadora, é importante criar produtos visando o bem-estar da população e do meio ambiente “Usando tecnologia de ponta, podemos contribuir para a contenção de pandemias, como a da Covid-19, e salvar vidas. É isso que me dá motivação para continuar investindo em ciência, desenvolvendo produtos de qualidade, que sejam usados na prevenção de doenças, sem prejudicar a natureza e com efeito duradouro”.

Os produtos desenvolvidos por Fernanda na Aya Tech ganharam destaque no mercado brasileiro por seguir o conceito de não ter contraindicações de uso, respeitar o meio ambiente e agir de forma efetiva contra bactérias, fungos e vírus. “Estávamos preparadas para uma epidemia de H1n1 e Influenza, que talvez viesse com força em 2020, para isso desenvolvemos a linha GY® Antissépticos. A pandemia da Covid-19 chegou de maneira surpreendente, reforçamos os nossos estoques e tivemos um aumento das vendas em 140% neste ano, fechando com faturamento de mais de R$ 1,5 milhão”, explica Fernanda. Os produtos Microbac® Spray e o GY® Antisséptico foram os produtos responsáveis por este crescimento da procura na pandemia da Covid-19.

“Nossos produtos são antibacterianos, usamos a água como solvente, não usamos produtos químicos fortes e prejudiciais à saúde em sua composição, como o álcool 70%. Priorizamos o uso de produtos naturais e pouco agressivos, mas tem eficácia comprovada. Notamos o aumento da procura por higienizadores alternativos, sem álcool, para bebês e idosos, sem riscos de alergias, escamações, irritações e certificados pela Anvisa, o que comprova indiscutivelmente sua eficiência”, ressalta a cientista.

Veja como cada produto funciona:

Microbac® Spray

Bactericida e fungicida para tecidos e superfícies desenvolvido com nanotecnologia. É eficiente na proteção contra vírus, bactérias, fungos e mofos causadores de doenças. Com versões doméstica e hospitalar, o Microbac® perdura no tecido por até dois meses ou 20 lavagens. Não há restrição de idade e pode ser usado por toda a família. Pode ser aplicado nas máscaras de tecido, roupas, calçados, bolsas ou quaisquer superfícies.

GY® Antissépticos sem álcool

Primeira linha de antisséptico sem álcool para uso doméstico no Brasil, desenvolvido nas versões spray, gel e sabonete. A linha GY® protege contra vírus, bactérias e fungos. Com ativos 100% vegetais, sem uso de parabenos, sulfatos ou ftalatos, os produtos GY® desinfetam, são altamente hidratantes e refrescantes para a pele. A linha GY® possui efeitos duradouros por até seis horas e pode ser usada por crianças, adultos e idosos.

Para saber mais sobre a linha GY® Antissépticos, Microbac® e outros produtos da Aya Tech para a área da saúde e biocosmética, acesse www.aya-tech.com.br