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O home school que dá certo: Escolas destacam parceria com pais no ensino online em tempos de Covid-19

Colégio Mater Dei em São Paulo e em São José dos Campos, Colégio Internacional Ítalo Brasileiro, Escola Cláritas , Colégio Internacional EMECE e CRIEM colhem frutos do investimento em tecnologia iniciado antes da pandemia. E tem no acolhimento às famílias a chave do sucesso para a educação infantil e fundamental neste momento

Se tiver filhos, você deve ter sentido na pele o tamanho do desafio. Se não tiver, já deve ter ouvido algum pai ou mãe conhecido reclamando do fato de ter que acompanhar as atividades escolares do filho. Do infantil ao ensino médio, o home school foi a única opção das instituições para seguir com o ensino. Simples, não é.

A novidade é que, passados três meses da quarentena, as escolas de excelência, como é o caso do Mater Dei, Cláritas, Criem, Ítalo e EMECE já encontraram o seu ponto de equilíbrio junto às famílias no que se refere à educação de crianças. E comemoram bons resultados. O segredo do sucesso numa área que mexeu tanto com os lares em tempos de Covid-19? O acolhimento, a real proximidade, o vínculo entre todas as partes envolvidas.

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“As famílias perceberam que estamos trabalhando arduamente pelo online, soubemos lidar com as queixas de que pai e mãe viraram professores”, explica Erica Mantovani, coordenadora do ensino Fundamental 1 no Mater Dei em São Paulo. “Atendo, todos os dias, pais e mães que só querem ser ouvidos”, diz. “Explico que os papéis de cada um voltarão para os lugares que devem ocupar, cada um com a sua cota de responsabilidade”.

Segundo Érica, trata-se de um processo no qual a escola e os pais são aliados, não oponentes em pé de guerra. “Na alfabetização, por exemplo, tivemos um ganho de aprendizagem muito grande justamente pelo maior envolvimento dos pais”, explica Érica. “Brinco com as famílias dizendo que não aceito mais que os alunos passem por esse processo sem o pai e a mãe junto”.

Ela destaca os retornos de gratidão que vem recebendo. “Esses dias, um pai me disse que o nosso nível de atenção para com os responsáveis pelos alunos era impressionante”, conta. “Ele agradeceu estar sendo atendido por mim no celular às 23h. Respondi que estava conversando com ele porque havia sentido a sua ansiedade”, diz. “Em seguida, ele me disse que nunca havia imaginado ficar 24 horas com a filha, acompanhá-la no aprendizado de ler e escrever. E finalizou dizendo certeza de que escolheu para a pequena a escola que deveria ter escolhido”, conta. “Retornos como esse nos fazem ter certeza de que estamos no caminho certo”.

Mais atenção às aulas

Para Fabiane Souza, diretora pedagógica do Criem, em todas as situações que envolvem grandes mudanças, como o isolamento por conta da Covid-19, sempre há perdas e ganhos. “Observamos, por exemplo, um desenvolvimento maior da atenção nas aulas online”, explica. “Os alunos estão concentrados em acompanhar os conteúdos, sabem que não podem se dispersar por estar em casa, se organizam para não ser atrapalhados por ruídos externos, por exemplo”.

“Ninguém sairá igual dessa pandemia. Temos muito o que recuperar em aprendizado e convívio social”, afirma a coordenadora do ensino infantil do Colégio Internacional Ítalo, Adriana Ferreira. “O mais importante é o fato de termos que trazer a segurança de uma vida normal e, ao mesmo tempo, diferente para os nossos alunos”, diz. “Esse acolhimento é fundamental”.

As atividades de ensino à distância destas escolas envolvem, entre muitos outros recursos, jogos, brincadeiras, grupos de estudo, projetos de escrita. Os alunos do Cláritas, por exemplo, foram protagonistas no projeto de gamificação. “A utilização da gamificação na educação oferece inúmeras vantagens no processo de ensino-aprendizagem, principalmente no que se refere a alunos mais engajados, curiosos e motivados. Nosso diferencial foi o desenvolvimento de competências socioemocionais, com a criação do avatar feita pelo próprio aluno”, afirma a diretora pedagógica do Cláritas, Carla Cascino.

Diversos estudos já apontam que aprender a “linguagem da tela” e das “tecnologias da interrupção” é tão importante quanto a alfabetização relacionada à leitura e à escrita. Neste contexto, sem a adoção de ferramentas e plataformas de educação digitais torna-se impossível preparar os cidadãos do futuro e promover a cidadania digital.

De olho no futuro

Para que não haja desconexão ou hiato na transição das crianças da educação básica para o ensino fundamental, as escolas Mater Dei, Cláritas, Criem, Ítalo e EMECE adotaram um sistema de educação híbrida, que integra dinâmicas on e offline com alunos dos primeiros anos escolares.

Colocamos à disposição dos jornalistas para entrevista representantes da escola e das famílias, que podem falar sobre a sua experiência com o ensino online, com o ensino remoto que de fato dá certo.