Educação

No 1o debate dos Encontros da Educação na 15a CineOP, profissionais apontam limites e potências da educação em tempos de novas pedagogias do olhar

No debate que abriu os Encontros da Educação este ano na CineOP, três profissionais de áreas distintas da comunicação conversaram sobre formas de desenvolver trabalhos educativos através de mídias variadas. Marcus Tavares, gerente de formação da TV Escola, falou de sua vivência como jornalista e como levou suas experiências a uma rede pública de educação.

“É preciso trabalhar com a emoção, pois assim você gera memória. Vamos pensar na publicidade: ela cria narrativas de 30 segundos que geram memória. Apesar da comparação esdrúxula, na educação podemos pensar em formas de o professor experimentar outras linguagens que não seja apenas a oral, e sim também a midiática”, frisou Marcus.

Na visão de Renata Tupinambá, que desenvolve importante trabalho de difusão de conteúdo a comunidades indígenas através da Rádio Yandê (que já chega a ouvintes em 80 países), a preocupação desse tipo de trabalho que pensa a educação através da mídia deve ir além de apenas gerar informação – inclusive porque os recortes informativos da grande mídia têm seus próprios interesses.

“Na Rádio Yandê, o comunicador indígena coloca toda a sua cosmologia”, comentou Renata. “Não é só dar a notícia, e sim incluir a forma como aquele comunicador o mundo. Comunicação não é só jornalismo, e é preciso romper essa padronização do que pode ser a mídia diante das subjetividades e das culturas do que é esse Brasil tão grande e tão desconhecido”.

A professora Marília Franco, que completou a mesa mediada pela pesquisadora Esther Hamburger, apontou o atual momento da pandemia como uma exceção que fez a educação “entrar tela adentro”. Ela frisou que isso significou especialmente as limitações de renda para alunos de famílias humildes que não possuem dispositivos para usarem em processos educativos. “Muitas crianças têm em casa apenas o celular da mãe e isso cria um complicador para que esse aluno acompanhe esse novo momento”. Do lado dos educadores, Marília apontou a dificuldade de professores se habituarem, em tempo escasso, a toda uma nova pedagogia de imagem – sendo, agora, o ensino por telas que, até então, serviam especialmente para entretenimento.