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Inteligência emocional dos pais influencia o desenvolvimento dos filhos

Especialista explica que as crianças absorvem os aspectos emocionais dos responsáveis e a maneira como os adultos lidam com as questões da vida

No século passado as principais preocupações das mães e pais estavam centradas em proporcionar condições materiais favoráveis para o futuro dos filhos. Os esforços eram, na maioria dos casos, focados na aquisição de conhecimento científico, no sucesso profissional e no legado financeiro que seria deixado como herança. Essa era uma realidade normal e esperada no desenvolvimento da sociedade da época que vinha de guerras, pobreza, fome e volumosas migrações continentais.

A psicóloga do Hospital Santa Cruz, Leticia Sonaglio, explica que, assim como evoluímos em outros aspectos e hoje dedicamos esforços para um mundo mais sustentável e menos desigual, existe uma crescente preocupação com o desenvolvimento emocional dos filhos.

“O aprendizado das crianças se dá pelo exemplo. Isso vale para tudo no cotidiano das famílias, especialmente para os aspectos emocionais. O comportamento dos filhos e a maneira que lidam com as questões da vida é reflexo da ação dos responsáveis. Os pais precisam ter inteligência e habilidades emocionais pois a família é o nosso primeiro aprendizado. ”

Essa abordagem mencionada por Leticia pode ser percebida em temas que são considerados tabus e, na maioria das vezes, acabam sendo ocultados das conversas familiares. Entre os exemplos citados pela especialista estão morte, diversidade cultural, preconceito, sexualidade e violência.

“São assuntos que os adultos, pela sua formação emocional, acabam tendo dificuldade para lidar e conversar. A transformação dos responsáveis e a superação dessas limitações é fundamental para o desenvolvimento emocional dos filhos. Eles terão que encarar esses temas em algum momento da vida. A família pode escolher fazer parte dessa construção ou não, pois sempre temos a possibilidade de evoluir com as decisões e experiências adquiridas. Se a família participa, todos crescem juntos e contribuem para a multiplicação do sistema em novos núcleos pessoais”, comenta.

A psicóloga completa: “O autoconhecimento e a consciência que nem todos são iguais, aceitando as diferenças com respeito, contribui com adultos mais felizes. Quando falamos sobre temas como drogas e violência com os filhos, estamos desenvolvendo a empatia, solidariedade e capacitando-os para que contribuam com a transformação dessas realidades. ”, comenta.

Pai curitibano superou tabus para transformar o futuro dos filhos

Para Ton Kohler, pai do Pedro (4) e da Mariana (2), o desenvolvimento emocional dos filhos está baseado em quatro pilares: autoconhecimento, escolhas de caminhos, força para acreditar e decisão de ser feliz. “É preciso que consigamos mostrar aos nossos filhos em se autoconhecer e saber quais são as suas responsabilidades nas escolhas. Isso ajudará que eles determinem o caminho que escolherão. A capacidade de mudar um cenário está nas nossas mãos, mentes e como escolhemos ser ou fazer. Deixar um mundo melhor, com mais responsabilidade e estabilidade emocional é função de todos nós. ”

Foi pensando no legado emocional que deixaremos para as novas gerações que o Ton resolveu criar o Papai em Dobro. O projeto, que já existia na mente do Ton há algum tempo, saiu do papel um mês após a perda da esposa. Embora a situação fosse muito delicada, o pai encarou o momento como uma forma de ressignificação. Pouco mais de 30 dias após a perda, Ton decidiu encarar o desafio do projeto que busca mostrar como é possível dar novo sentido à vida e traçar um novo rumo, mesmo diante das adversidades.

“As escolhas dos meus filhos passam pela energia que transmito e também pela maneira como decido lidar com as adversidades. Foi por isso que escolhi utilizar o potencial de multiplicação das redes sociais e realizar palestras para contar como é o meu cotidiano com os meus filhos. Percebi que a minha história é semelhante à de muita gente que interage comigo e que poderia contribuir para inspirar outras pessoas. Por isso decidi compartilhar como abordamos o tema e lidamos com adversidades que muitas vezes são um tabu”, explica.