Bem Estar Saúde

Indaiatuba contra a dengue: pesquisa mostra que 97% dos moradores reconhecem o Aedes do Bem como solução eficaz para controle do mosquito

Quase a totalidade dos dois mil entrevistados querem que o programa do Aedes do Bem™ continue – e seja expandido – para outros bairros da cidade. Iniciativa é realizada desde 2020 pela Prefeitura de Indaiatuba em parceria com a Oxitec

Mesmo em meio à pandemia provocada pela COVID-19, a dengue, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, se faz presente em todo o Brasil. De janeiro a maio de 2021, foram contabilizados 279.743 prováveis casos em todo o País, de acordo com o Ministério da Saúde1. Porém, na cidade de Indaiatuba (SP), que vem adotando medidas de controle desde a temporada anterior (2020/2021), somente 19 pessoas contraíram o vírus entre 1º de janeiro e 28 de abril, segundo a Secretaria de Saúde da região2. A relevância desse resultado se confirma no trabalho de conscientização da população e na realização de iniciativas inovadoras e sustentáveis pela prefeitura do município, em parceria com a Oxitec, empresa de biotecnologia pioneira em soluções biológicas para o controle de pragas que transmitem doenças.

Esses dados positivos deixam a população de Indaiatuba mais confiante nas ferramentas utilizadas. É o que mostra a pesquisa “Aedes do Bem: uma solução eficaz na cidade de Indaiatuba”, realizada pelo Instituto CW7 em março de 2021, com dois mil habitantes da cidade3. O Aedes do BemTM, que ajuda a diminuir a população de Aedes Aegypti selvagem e, consequentemente, a propagação de doenças graves, como dengue, zika e chikungunya, é considerado seguro e eficiente por 83,2% e 89% da população, respectivamente. Além disso, 83,5% dos respondentes apoiam o projeto e 97% gostariam que ele fosse expandido para outros bairros.

“Resultados obtidos em maio de 2020 mostram que tivemos a diminuição de 95% da população do Aedes Aegypti após 13 semanas da implantação do Aedes do BemTM“, afirma Natalia Ferreira, diretora-geral da Oxitec no Brasil.

Embora os números relacionados à diminuição da doença sejam expressivos, há a necessidade de expansão do trabalho de alerta a respeito das doenças provocadas pelo Aedes aegypti. A mesma pesquisa mostra, por exemplo, que os entrevistados estão menos cautelosos com a dengue: se, em 2019, 85% dos entrevistados estavam preocupados com a doença, esse número agora é de 68%. Também há desconhecimento a respeito da transmissão da doença: o levantamento mostra que 21,2% dos respondentes acreditam que o vírus é contraído por meio da água parada e somente metade da população (53,6%) tem conhecimento que o Aedes transmite a dengue. O sinal de alerta também fica para outras doenças: apenas 22% reconhecem o perigo de contrair a chikungunya por meio do mosquito.

“Também podemos dizer que há avanços com relação à conscientização. Segundo a pesquisa, 61,7% dizem que a solução para acabar com o vírus é não deixar água parada”, completa Natalia.

Biotecnologia a serviço da saúde pública

A tecnologia do Aedes do BemTM possui papel importante na mudança do cenário da dengue em Indaiatuba. Afinal, as caixas posicionadas estrategicamente em cinco bairros da cidade contêm ovos de mosquitos machos – que não picam e não transmitem doenças – com um gene autolimitante.  Após se desenvolverem na água ali depositada, esses insetos buscam fêmeas selvagens para se acasalar. Como resultado, as fêmeas – responsáveis por picar o ser humano para se alimentar – não se desenvolvem e os machos perpetuam o gene, reduzindo a população de mosquitos fêmeas e promovendo o controle da doença.

“Em se tratando de um mosquito que se adapta facilmente ao ambiente urbano e já apresenta um alto nível de resistência aos métodos de controle tradicionais, como os inseticidas químicos, a adoção de soluções de biotecnologia e o reforço quanto às informações de doenças transmitidas, forma de contágio e ferramentas de controle, devem ser feitos de forma recorrente”, afirma Natalia.

Para que os resultados positivos desse projeto sejam acessíveis a comunidades ao redor do globo, recentemente, a Oxitec recebeu cerca de R$ 38 milhões da Wellcome Trust, uma das maiores fundações de filantropia do mundo, para financiar programas de aumento de escala da tecnologia Aedes do BemTM, aprovada pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) em 25 de maio de 2020 para uso no Brasil.

Além da iniciativa em Indaiatuba, entre 2013 e 2015, a primeira geração da tecnologia também foi utilizada no combate ao mosquito no município de Piracicaba (SP), atingindo o mesmo patamar de eficácia. Nesste momento, a Oxitec e a Prefeitura de Piracicaba conversam para retomar o uso da tecnologia a partir de outubro deste ano.

Pesquisa “Aedes do Bem: uma solução eficaz na cidade de Indaiatuba”
Realização: Instituto CW7Período: março de 2021Entrevistados: 2 mil pessoas
Principais resultados:
83,2% consideram o Aedes do BemTM uma solução segura
89% consideram o Aedes do BemTM uma solução eficiente
83,5% apoiam o projeto realizado pela Oxitec e a Prefeitura de Indaiatuba
97%  gostariam que o projeto fosse expandido para outros bairros
68% mostram preocupação com a dengue
21,2% acreditam que o vírus é contraído por meio da água parada
53,6% têm conhecimento que o Aedes Aegypti transmite a dengue
22% reconhecem o perigo de contrair a chikungunya pela picada do Aedes Aegypti
61,7% dizem que a solução para acabar com o vírus é não deixar água parada

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Boletim Epidemiológico 18. Volume 52. Maio de 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/2021/maio/18/boletim_epidemiologico_svs_18.pdf 

2  BECCARI, Gabriel. Indaiatuba é a cidade com menor número de casos de dengue entre os municípios com mais de 200 mil habitantes da RMC. Prefeitura de Indaiatuba, 2021. Disponível em: https://www.indaiatuba.sp.gov.br/relacoes-institucionais/imprensa/noticias/29528/. Acesso em: 25/05/2021.

3 Pesquisa quantitativa com amostragem aleatória nos bairros Jardim Lauro Bueno, Jardim Belo Horizonte, Alto da Colina, Jardim Regente e Jardim Cidade Jardim. Foram realizadas 2 mil entrevistas com moradores com idade acima de 16 anos, de 11 a 24 de março de 2021.