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Exposição coletiva na Casa de Cultura do Parque discute aspecto tridimensional da produção contemporânea

Da figura humana à geometria, mostra traz trabalhos significativos que representam os pensamentos atuais em torno da esculturas

Os escultores contemporâneos têm se apropriado das mais diversas práticas escultóricas para representar tanto figuras humanas, quanto formas geométricas. Do conjunto diversificado de práticas, coloca-se em dúvida a validade atual do termo “escultura”, ao se preferir a noção mais ampla de “tridimensional”. Essa é a reflexão proposta pela exposição Do volume e do espaço: modos de fazer, coletiva em cartaz de 27 de julho a 13 de outubro, na Casa de Cultura do Parque.

A mostra temtexto de apresentação de Ana Avelar e reúne trabalhos dos artistas brasileiros Alexandre da CunhaClaudio CrettiEdgar de Souza,Eduardo FrotaFelipe Cohen, Flávio CerqueiraIvens Machado, José RezendeLaura VinciNino Cais, Pablo Reinoso, Ricardo BeckerRodrigo Cardoso e Tatiana Blass.

Dois eixos centrais dividem os trabalhos expostos. O primeiro, endereçado à figura humana, indica a história tradicional da escultura, com o corpo aparecendo em diversas escalas ou fragmentos, ora como metáfora para uma conduta moral e ética, ora para fins religiosos ou místicos.

“As atuais poéticas do corpo debatem politicamente convenções sociais, culturais e sexuais. Se artisticamente o corpo humano serviu, ao longo do tempo, como suporte de nossa relação com o mundo, uma relação física que diz respeito também à nossa compreensão desse mundo, o que pensar sobre corpos que não se completam ou que não seguem proporções exemplares?”, provoca Ana Avelar.

A geometria, elemento que unifica o segundo eixo da exposição, não aparece mais oposta à realidade do corpo, mas sim conjugada a ele. O Minimalismo, marco da arte contemporânea, rompe com o gesto heroico do artista sobre o material e revela a experiência do corpo do indivíduo em contraponto aos objetos sem detalhes, ordenados em série, dentro de uma lógica evidente e simples. “É o corpo que experimenta a geometria, é ele quem a produz”, explica a curadora.

Máquinas do mundo: Drummond, Clarice e Machado – José Miguel Winsnik
No mesmo dia da abertura da exposição, o Terra Nova, novo módulo de artes plásticas da Flip, e a Casa de Cultura do Parque promovem um encontro com José Miguel Wisnik. A palestra seguida de bate-papo gira em torno o processo de criação de Máquinas do Mundo, do Núcleo de Arte da Mundana Companhia de Teatro. A obra contempla elementos das artes plásticas, da literatura e do teatro e explora as potencialidades estéticas contidas no contraponto entre o poema A máquina do mundo, de Carlos Drummond de Andrade, O delírio, sétimo capítulo deMemórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e um capítulo de A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector. O encontro integra a programação do Terra Nova, novo módulo de artes visuais da Flip.