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3ª edição da “Live #FicaFaroeste” acontece neste domingo com muita música, gastronomia, solidariedade e palhaçadas

Evento virtual se tornou uma tradição com o objetivo de arrecadar recursos financeiros para evitar o despejo do teatro da Cia. Pessoal do Faroeste, na região da Luz. No dia 8 de outubro, realiza sua maior edição com quatro shows de música, palhaços e culinária vegana

Neste domingo, dia 8 de novembro, a partir das 16h, acontece a terceira edição do evento beneficente virtual “Live #FicaFaroeste”. Serão duas horas de transmissão ao vivo com apresentações musicais de Tika acompanhada pelo violonista Emílio Moreira, Coco de Oyá, Leona Jhovs acompanhada pelo músico Felipe Pan Chacon, e também o pianista Arthur Moreira Gomes. Além disso, essa edição conta ainda com o show de palhaços de Flávio Falcone e Andréa Macera e, mais uma vez, a gastronomia se faz presente com o projeto Menina no Quintal de culinária vegana. Os mestres de cerimônia serão Leona Jhovs e Pascoal da Conceição.

Assim como aconteceu na edição anterior, além da transmissão, o alimento preparado durante a performance gastronômica será distribuído na porta do teatro alimentando pessoas em vulnerabilidade social da região da Cracolândia.

A agenda de lives, que tem recebido a participação voluntária de todos os artistas e produção, e as vaquinhas têm garantido o prazo para a solução. “Parte do acordo judicial que interrompeu o processo de despejo do teatro envolve ações como estas que cada real arrecadado é diretamente destinado para o pagamento da dívida com os aluguéis do espaço”, explica Paulo Faria, diretor da Cia. Pessoal do Faroeste.

Assim que Paulo recebeu o aviso de despejo, voluntários deram início a primeira vakinha online via portal Abacashi.

Ação de despejo

Durante toda a pandemia do coronavírus, a movimentação no teatro da Cia. Pessoal do Faroeste tem sido de famílias em busca de ajuda da campanha #FomeZeroLuz. Iniciada por Paulo Faria, diretor e fundador do espaço, a ação de solidariedade têm colocado alimento e itens de higiene nas casas do entorno da Cracolândia. No entanto, no dia 12 de agosto, o espaço recebeu uma visita diferente: um oficial de justiça que tinha em mãos um aviso de despejo e o prazo de 15 dias para desocuparem o imóvel, ação que teve início efetivamente de desocupação nos dias 2 e 3 de setembro até o trabalho ser interrompido pela petição intermediada pelo gabinete de Eduardo Suplicy. Na sequencia hove uma audiënca, e se chegou a um acordo, suspendo o despejo. Como a Cia está sem patrocínio, a solução foi produzir Laves para divulgar a campanha.

Dívida de R$ 200 mil

Sem patrocínio há um ano, e com a paralisação da programação, o problema apenas cresceu e a dívida acumulada com aluguéis atrasados chega a R$ 200 mil. “A Cia vive exclusivamente da Lei de Fomento ao Teatro, e há um ano está sem patrocínio. Nosso espaço é pequeno e todos os espetáculos têm como bilheteria o sistema ‘pague quanto puder’. Em março, reestreamos a peça ‘O Assassinato do Presidente’ que, devido a recomendação de isolamento social, teve que ser interrompida depois de apenas duas apresentações”, comenta Paulo Faria.

Maior “Live #FicaFaroeste”

As lives são transmitidas diretamente do palco do teatro da Cia. Luz do Faroeste e tem conseguido o apoio de artistas engajados e com um trabalho totalmente conectado à causa. Nesta edição, o evento conta com as seguintes apresentações ao vivo:

Tika e o violonista Emílio Moreira

A cantora Tika já é uma veterana da “Live #FicaFaroeste” estando presente em todas as três edições. Nas duas primeiras edições, a cantora se apresentou sozinho, no entanto, desta vez, ela traz uma novidade e se apresenta acompanhada pelo talentosíssimo violonista Emílio Moreira.

Coco de Oyá

Coco de Oya representa o ativismo das mulheres na música popular regional brasileira por meio de cantos e dos toques ancestrais dos tambores. Tradicionalmente composto por um tria, na “Live #FicaFaroeste” apresentam um projeto especial, com Rafaella Nepomuceno convidando o sanfoneiro Felipe Sereno para criar uma releitura do repertório do Coco de Oyá.

O projeto paralelo, criado durante a pandemia pela impossibilidade do grupo original se encontrar, conta com uma formação inusitada de voz, percuteria, uma bateria adaptada, onde no lugar do bumbo uma alfaila e no chimbal uma torre de caxixis, deixando o som temperado à moda da cultura popular. Numa versão mais intimista o show convida o espectador a ter uma nova experiência sonora dentro do universo do Coco de Oyá.

Leona Jhovs e o músico Felipe Pan Chacon

Ambos são membros da Cia. Pessoal do Faroeste e estavam no elenco do espetáculo “O Assassinato do Presidente”, que teve sua temporada interrompida após duas apresentações devido à pandemia.

Leona é uma mulher transfeminista, multi-a(r)tivista, atriz, diretora, roteirista, apresentadora e cofundadora da Casa Chama. Chacon é compositor, arranjador, diretor musical da Cia. Pessoal do Faroeste, astrólogo, estudante de filosofia e busca a trilha de uma arte-guerrilha afiada nas folhas das armas da crítica.

Pianista Arthur Moreira Gomes

Nascido em Laciara (GO), Arthur nunca teve contato com seus pais e foi abandonado ainda pequeno. Morou até os 12 anos num orfanata até ser adotado e se mudar para Brasília, onde, aos 14 anos, começou a ter contato com a música assistindo vídeos no YouTube. Ficou fascinado pelo piano e começou a treinar sozinho. Ele se autodeclara compositor de trilha sonora e está sempre viajando fazendo apresentações e conta, em seu repertório, com músicas autorais.

Show de palhaços com Flávio Falcone e Andréa Macera

Flávio Falcone e Andréa Macera são parcelhos de palhaçcadas desde 2010, quando atuaram juntos na Saúde Mental de São Bernardo do Campo, realizando oficinas de Palhaço no CAPS – AD (Centro de Atenção Psicossocial para dependentes de Álcool e outras Drogas). Atualmente, estão retomando este trabalho na região da Cracolândia por meio Projeto “Teto, Trampo e Tratamento”, apoiado pelo Ministério Público do Trabalho.

Projeto Menina Brasileira de culinária vegana

Menina Brasileira é um projeto da culinarista Isis Appes, que é especializada em alimentação vegana e sustentável, artivista gastronômica, pesquisadora curiosa sobre alimentação e bióloga. Desde 2014, prioriza alimentos agroecológicos e biodiversos. Já foi chef do extinto Biozone e, atualmente, lidera a cozinha do Tonga Comedoria.

Recentemente, foi chef convidada para a campanha “Lute Como Quem Cuida”, da Cozinha Ocupação 9 de julho, para a produção de quentinhas distribuídas à comunidades mais impactadas pela pandemia e, durante a “Live #FicaFaroeste” cozinhará para a população em situação de vulnerabilidade social da região da Cracolândia.